O lavador de camisas - Maicom Douglas


                    O lavador de camisas 
Este poema é baseado na obra de João Cabral de Melo Neto, 

inspirado no livro Morte vida Severina.




O meu nome não importa Tão pouco importa minha história de vida. 

Conto para vocês apenas minha profissão. 
Trabalho lavando roupas de quem já teve sua cina É com a morte que ganho a vida.

Minha freguesia é grande tem sempre um infeliz perdendo a vida Por aqui sempre um homem morre antes dos trinta

Cada camisa é uma historia pra contar Cada mancha de sangue é um pouco de vida Cada morte é sempre mais uma camisa.

Existem manchas que não são fáceis de tirar São elas da injustiça, pessoas que não fizeram nada Mas que mesmo assim perderam a vida. 

E perder a vida combina com bala perdida Que nesse mundo violento é o sucesso do momento.

E falando em mundo. Nesse mundo existem pessoas que nem camisa tem Morrem como um "Zé Ninguém" e seus corpos nunca são Encontrados. 

São bêbados, mendigos, prostitutas e vadios Que vagam pelas ruas frias da cidade e que não tem nem 
Onde caírem mortos.

O LAVADOR MOSTRA ALGUMAS CAMISAS.

Essa camisa pertenceu a um homem Que morreu em briga por terras Morreu por 7 hectares mas apenas 7 palmos lhe serviu.
E essa pertenceu a uma criança que morreu de fome na Vida brava do sertão.
Essa pertenceu a um professor Que morreu lutando por mais educação.

O LAVADOR CHEGA ATÉ UMA BR. 

E nessa estrada é que faço muitos lucros por dia Aqui acontece acidentes todas as horas, seja de noite ou De dia. 
Muitos homens com pressa de chegar Acabam perdendo a vida, e no outro dia Lá estou eu, lavando sua camisa. 
Sigo por essa estrada a procura de camisas È com a morte que ganho a vida.
E de camisa em camisa as vezes fico me perguntando, Quando lavarei meu ultimo pano? quem será que lavará Minha camisa?...

(Maicom Douglas)

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