Depressão - Madu Santos



Eu costumava duvidar das pessoas que diziam que o som do vazio dói. Mas descobri que era verdade. De fato, sempre gostei de ser livre, ou solitária, se preferir. Mas hoje sei o quanto é doloroso olhar para a multidão e sentir-se sozinha. Aqui, sozinha, jogada nesse quarto escuro, com meus discos e meus livros. O café amargo me mantém de pé. Tudo está completamente trancado e eu perdi a noção dos horários. E tudo complica quando finalmente abro alguma janela e o sol raia quando ainda penso que verei a lua. Tudo só piora, o cansaço só aumenta, a solidão está me destruindo. Meus olhos estão mirando a parede e a televisão está ligada. Eu sequer a olho, mas gosto do som que ela faz.
Em meio a todo esse caos, o que me conforta é saber que já estive pior. A fumaça que invadia meu peito e o álcool que adentrava meu fígado me tornavam bem mais vulnerável e frágil.
Eu não bebo mais. Deixei as carteiras diárias de cigarro pra trás. Resolvi não me matar tão rapidamente, mas continuo aqui nesse quarto me afundando nessa tristeza que parece não ter fim. A única companhia que tenho é da televisão, e para ser franca, só não a desligo porque alguma parte de mim me diz que ninguém além dela me faria companhia.

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