Oque eu Fui - Vanderleia Gonçalves




Bip. Bip. Bip.

Silêncio
Eu testemunhei a minha morte. Eu fui expulsa do meu corpo. Virei uma alma perdida. Eu me vi morrer. Vi os médicos lutarem para me salvar. Mas não deu. Meu coração parou de bater. Já não se ouvia mais o Bip das máquinas. No corredor do hospital não tinha ninguém chorando por mim. Muito menos esperando notícias minhas. E a certeza disso, veio como um baque até mim. Eu não era amada. Mas era compreensível. Afinal quem amaria alguém que não tinha tempo para nada. Para a família. Amigos. Que faltava a todas as reuniões de família. Natal. Ano Novo. Dias das Crianças. Aniversário de Alguém. Que dos poucos amigos que tinha, nunca ligou. Mandou um SMS. Email. Chamou para a balada. Happy Hour. Ou simplesmente apareceu. Tudo por que? Para passar em todas matérias da faculdade com folga. Conseguir o emprego dos sonhos. Se manter no emprego dos sonhos. Fazer vários cursos. Aprender várias línguas. Não dormir para fazer o que os outros esperassem. Para suprir as expectativas de todos, mas nunca as suas. Eu morri, e nunca fui para outro país mostrar minhas habilidade em falar Inglês. Francês. Espanhol. Mandarim. Russo. Eu morri, e o emprego dos meus sonhos não era tudo o que eu imaginava. A faculdade que cursei não supria as minhas expectativas. Perdi tempo atrás só de dinheiro. Fama. Sucesso. Perdi momentos em família. Amigos. Festa. Viagens.
Hoje eu morri, e ninguém chorou por mim.
Vanderleia Gonçalves

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