A infância - Paulo Lima

Paulo Lima- Poeta jacobinense

Nunca observei tanto quanto observo essa terra.Nunca soei tanto como soam os animais,Nunca brinquei tanto como as crianças que aqui habitava.Que saudade!Saudade do tempo, saudade do chão do Nordeste.Saudade de uma infância que nunca será vivida pelas crianças de hoje.Saudade de um tempo que existia riquezas intelectuais.Me pequei hoje cabisbaixo, pensando nos amigos que a vida me deu,Pensando nas pessoas que a vida levou...Muitos hoje pais e mães de família.Muitos hoje contando vitórias, muitos hoje contando tragédias, Muitos hoje vivendo, muitos hoje apodrecendo.Me peguei hoje sentado na cadeira de balanço olhando para o chão seco do Nordeste,E pensando porque nós envelhecemos e perdemos contatos com pessoas queridas.Me peguei hoje com uma lágrima no rosto olhando para imensidão das areias secas.Me peguei pensando nos rostos, nas risadas, até mesmo nas brigas bobas,Me peguei hoje com vontade de voltar no tempo...Os pássaros daqui sentam nas arvores para escutar a história de um homem sonhador,Um homem que diz ser poeta, um homem cheio de amor.Que a vida que aqui vivemos, no calor de uma terra tão amargurada, Seja sempre a cura de minhas melancolias.Que os açudes e cacimbas sejam a calma para a saudade da minha utopia,Que esse sol de queimar a pele queimem essa saudade do meu tempo de criança.E que as voltas que o mundo nos permite dar encontre a esperança de uma terra onde é possível rir e chorar.Que o mundo conheça as riquezas de uma vida digna, mesmo sem muito o que comer.Que saudade da minha infância, Que saudade de viver!


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