Sou Negro - Paulo Lima

Paulo Lima-Poeta jacobinense.

Hoje eu acordei diferente,
Acordei mesmo, porreta!
Orei, roguei, pequei meu amuleto
Branco não viu nego?
Agora eu sou é preto!
Sou naturalista, comunista,
Feminista dos pés a cabeça.
O turbante, agora é meu manto
Cultura, é minha cor
Poesia, meu canto.
Meu sorriso agora é preto
Minha pele deixou de ser clarinha,
E vou dizer uma coisa:
Que preto bonito, viu mainha?
Desbocado, inclusive, que boca!
Sou negro, a cor do pecado,
Sou o pai do acarajé, fazedor de dendê
Olhe, nessa terra, negro mais lindo
Você não ver!
O cara  até tenta
-Fala galego!
O que você disse Pai? Repete ai preto que quero ver
Me respeite, viu parceiro?
Tome mais cuidado que eu não sou seu pariceiro.
Saio logo de fino
Desfilo a minha avenida a fora
Recebendo elogios, hora em hora.
Respeitem os negros dessa Bahia
Engulam os negros arretados,
Porque somente na Bahia
Negro assim é encontrado.

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