Paulo Lima - O Nevoeiro


Meu cigarro já estava na metade.
O tic-tac eu nitidamente ouvia.
As gotas de água que caia na pia, fazia um barulho insuportável.
A pétala de minha orquídea negra despencava uma a uma.
O céu começou a ficar preto
Nuvens e nevoeiros se estendiam por todas as partes.
Pássaros?  Somente ecoavam próximo a mim os Corvos e as temidas Ragas-mortalha na cumeeira da minha casa.
Não chovia, já não se sabia se era noite ou dia.
Não se avistava nem um palmo a frente do nariz.
Nevoeiros brotavam do chão, humanos nenhum a vista.
O nevoeiro engoliu tudo e todos
Deixando somente as Corujas e Corvos.
Vozes distantes eu conseguia ouvir pedindo ajuda pelo amor de Deus...
Caminhava sem saber onde estava, já não sabia se era minha casa.
Chamava eu pelo filho de Maria:
-Socorro meu nosso senhor, tenha pena desse matuto sem leitura
Não me deixe morrer com minha alma suja e impura.
Nessa hora escuto uma voz, que logo me dizia:
-Acorda home, já raiou o dia.
Era minha mulher..


Paulo Lima

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