Paulo Lima - O Cravo


Na Orlando Oliveira Pires havia um Cravo.
Era noite, e minhas vistas estavam turvas, mas eu via nitidamente um Cravo.
Brotou assim como quem não quer nada.
Meu amigo ainda disse baixinho em meu ouvido:
"deverá ser alucinação?"
Mas como seria alucinação se todos viam a mesma coisa?
Não! Era um Cravo! Com folhas, caules, raízes e tudo mais.
Indagamos com a natureza, pois é de rara beleza nascer um Cravo no asfalto.
Brotou? Alguém plantou? É obra divina?
Todos ali caminhavam, carros por lá passavam, como pode não despedaça-lo?
O Cravo não é de ferro, mas estava lá, irradiando beleza na avenida...
Era de mais nascer capim, mato, ou ortiga? Tinha que ser um cravo, no meio da estrada empatando o caminho?
As motos deveriam desviar, os carros também, mas... E as Pessoas? São tantas, nem uma criança puxou?
"Hora bolas", como pode? Na redondeza não tem uma arvore se quiser, nenhuma erva dadinha... A cidade já não tem pássaros, morreram todos com a lama do esgoto.
Me arrepio, todos inclusive ficaram arrepiados, assustados...
Era mesmo um Cravo no meio da avenida.
Como pode? um Cravo... Que Cravo...


Paulo Lima 







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