Paulo Lima - A seca


Eita que Sol quente sô!
É tempo ruim demais da conta, né não?!
Mata o mio, os feijão.
Chegou a estiagem, pra desamimar os Sertão.  
As minina da que casa, junto com a muier 
Junta as moringa de barro e cabaça, faz arrudia na cabeça 
E vai nas cacimba em busca de água
E no chão é possivi ver uma especie de fumaça. 
É chão pra mais braça que nem formiga caminha.
O sol mata até Gavião que registe ao calor,
O Sertão é traçoiro mas é danado de bão!
É de vera mesmo o cultivo do amor. 
É o tempo que todos sentam nas calçadas pra prosear 
Ver os minino tudo bricar gude, 
E as vez a gente cava um buraco fundo 
E toma bãe, fingindo que é açude. 
Os gado coitados, morre tudo.
Os povo fica sisudo, 
Mas é tudo como Deus quer. 
É, quem vive no Sertão tem que está é pronto 
Pra seca quando vier.

Paulo Lima


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