Paulo Lima - Amor-te amo


Quando meu rádio acabar a fita,
Ou as parcas cortarem o fio da vida e eu cumprir com meu destino ,
Deixai que seja sereno ou sibilino.
Deixai-me como flor, ao léu, sozinho, sujeito ao tempo.
Com visitas só das aves, quem dirá do vento.
Que nada e nem ninguém se sujeitem a uma gota amarga ou falsa de lamento.
Quando a morte vier e para mim sorrir, não se assuste, pois eu também irei sorrir.
O manto que cobre a paz me vestirá, a terra como derradeira camisa, irei vestir.
E se for pelos erros que as vezes eu cometia,
Que eu seja lavado em chamas, quem dirás que fogo me comia?
Enche tua boca de silencio, pois já não é pário a tua ventania.
Lavei-me a alma, descansei como quem envelhecia.
Quando ela vier a procura de quem levar, a chamarei e pedirei que me conforte
E com o maior sorriso que ela já viu, a ordenarei que sua foice não erre o corte.
Que o sol esteja bem forte, para que, se enterrado eu for, definhe de pressa mesmo no inverno,
Para que eu possa ficar livre dessa terra, que é um inferno.
E que se um dia eu sonhar que estiver morrendo, que sonhando eu continue,
Pois se acordar, terá sido um sonho horrendo.
Não existiria lástima, penúria e lamento maior que continuar vivendo.


Paulo Lima

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