Paulo Lima - Maria, mãe de Deus



Maria, mãe de Deus, eu me confesso.
Eu venho dos livros, duas páginas, figurinhas e sem versos.
Formei-me de alguns eventos cósmicos.
Vim do além, como os deuses mitológicos.
A senzala me ordenou que viesse a vir,
Contra o homem que há tempos deseja competir.
Trouxe para seu povo a fé verdadeira.
Quem diria que um filho teu salvaria a humanidade inteira?
E que Oxalá nos cobra paz.
Que o manto da pureza esteja por vir,
Me mantendo em pé, a fronta, quando eu emergir.
Que eu seja a força do negro quando se acua,
Me levantando e dando força a minha mãe, Iemanjá.
Empodero-me de força, coração valente.
Sou do signo de Gêmeos, da tribo sobrevivente. 
Maria, mãe Deus, eu já estive aqui,
Contei em dedo as mortes que lá fora eu vi.
Morte pela guerra que não leva a nada.
Os mais fortes encurralando os fracos em emboscadas.
A inferioridade na humanidade a torna surreal, 
Em uma cultura fraca, marginal.
Maria de Jesus, venha a nós e estende a mão.
Somos filhos teus, não te esqueces não.
Que a moça de cabelos trançados procure a beleza que esconde em si.
A inferioridade descartada, mande para as profundezas quando vir.
Candomblé do meu terreiro,
Pai se santo ou feiticeiro.
Orgulhoso, Bahia terra santa que espero crescer.
De todas a mais bela para viver.
Razão da minha vida, berços culturais.
Rainha das belezas naturais.
Sou da velha guarda perdida no norte
Onde se esquiva até da morte.
Jacobina, meu amor
Filho teu não foge à luta,
Fala alto, grita forte,
O mundo teu grito escuta.
-" Versos encima rama
Versos de ouro inclina,
Jacobina mãe do Norte

Rainha da Diamantina".

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