Paulo Lima - Para cada, uma emoção


Cada escada do cruzeiro, um grito de socorro.
Cada lama do Itapicuru, uma ruga de preocupação.
Cada estiagem e seca, uma lágrima de choro.
Cada cantil vazio e moringa rachada, falta na mesa um pão.
Cada ano de fundação da igreja da Matriz, uma lástima.
Cada vez que entrei na Igreja da Conceição, uma trégua.
Cada lazer e beleza, uma Antônima.
Cada rio de distância, uma légua.
Cada passeio na avenida, uma reza.
Cada poda de árvore, uma vida.
Cada índice de morte, despreza.
Para cada boiadeiro, cabeça erguida.
Para cada sertanejo, um gole.
Cada estrada ou trilha, seguida.
Cada homem deitado na causado, um vinho e risole.
Para cada fazendeiro, uma vaca.
Cada mulher do cinza, um corte.
Cada esquina, uma placa.
Para cada tolice, uma morte.


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