Paulo Lima - SAUDADE



Ontem de madrugada me peguei chorando ao recordar memórias perdidas no tempo.
Lembrei-me da linda rotina em que eu amava fazer pelas manhãs de minha vida.
Hoje o que me resta é chorar. Chorar por um tempo querido que não volta mais.
E saber que o tempo e os problemas são nossos maiores inimigos, me torna patético.
Saudades das manhãs em que eu acordava, tomava meu velho café preto e me preparava para ir à casa da minha amada vó.
Fazer o que? Ouvir todas as suas queixas, os incômodos dos vizinhos, os gatos no telhado, a nomeação dos primos que não a deixou alegre...
Apenas queria ouvi-la!
Sua voz de manhã cedo era necessário para que meu dia pudesse se encher de alegria.
Lembrei-me de um dia em que discutimos, e fiquei um dia sem ir até lá.
Bobo!
Perdi tanta coisa, tanto amor, tantos relatos.
Chorei a noite toda. Pois o que parece ser bobo na prática, na distância se torna importantíssimo.
Só com a distância é que sentimos saudades das coisas "bobas".
Julgamos tanto a rotina, a desprezamos de uma forma assustadora, mas é tudo teoria...
Na prática ela nos faz uma falta imensa, ao ponto de extraírem lagrimas de saudade.
Quantas vezes eu poderia ter aproveitado mais? Quantas vezes eu poderia viver intensamente e no entanto me acomodei com o pouco que tinha?
A vida, ela não é uma peça!
As peças são escritas, podem ser refeitas e reprisadas.
A vida é única e não se repete.
A saudade é uma das provas vivas, o que nos derruba e nos torna fraco.
Por tanto, aproveite. O cheiro, a voz, os gestos, a rotina em si...
Pois um dia o tedioso se torna saudade,
E a saudade dói e machuca.

Paulo Lima

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