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Poemas Registrados 


Homem do Norte 


Sou do nordeste, cabra da peste
Das terras dos índios payayá.
Sou das quadrilhas de São João
E das festas de arraiá.

Sou de um povo guerreiro
Sou das encostas da Diamantina,
De um povo estrangeiro
Sou de Jacobina...

Sou homem honrado
De cultura ancestral,
Sou das matas verdejantes
Das culturas tão distantes
Te um país ocidental...

Sou a cultura do dramaturgo Ariano,
Sou literatura do caro Jorge Amado,
A festa padroeira, e todas as cachoeiras
Desta terra de muito agrado...

Sou a riqueza de todo o Capibaribe
Sou Caprichoso, a calunga da meia noite,
Sou cordel a se cantar,
Sou de longe caro moço, sou da terra da penúria
Da farinha com Juá...

Bebo água na moringa e tomo banho de sopapo,
Para poder trabalhar,  
Sou home lá do norte da vida sou muito forte
E lá meus filhos vou criar...






Se entrega

Entrega-me a tua mão
Toca meu coração
Me beija, me amassa
Me faz ser teu sertão.

Me chama de poesia
Me recita, me aperta como sanfona,
Me ama, me abate, me torra,
Me põe no sol feito mamona.

Me nota, me avista
Me conta tuas histórias, 
Me põe no colo 
Me faz tua memória.

Me aperta e não solta
Me canta como uma flauta,
Me diz ser minha 
Me põe na boca feito gaita.

Me escreve, me dedilha 
Me faz um esquimó, 
Me vicia, me alegra 
Me tenha, mas não tenha dó.


Paulo Lima

Ei mô

Eu me sinto dependente de te ouvir
Sentir você todos os momentos,
Te beijar eternamente, te possuir
Ser o dono dos seus sentimentos...

Te dizer muitas coisas
Colar teu corpo no meu, ser teu amor...
Te segurar como se não houvesse amanhã
E como se não houvesse dor...

Deitar-te em meus braços
E de leve te fazer cafuné,
Te fazer sentir, sorrir,
Até mesmo um café...

Te escrever cartas, ler meus poemas....
Queria te proporcionar o melhor de mim,
Sem que tenha necessidade, calamidade ou culpa...
Mas a única coisa que saiu foi;
- Me desculpa!

Paulo Lima 



A morte
Ao passar dos anos me ternei frio
Incapaz de sentir qualquer sentimento amoroso
Não me permito derramar lagrimas pelos mortos,
Afinal, é deles o tão sonhado descanso eterno.
Não me permito lamentar pelos que já partiram
Pois é deles, o segredo da vida.
Não me apego aos bens materiais
Pois belo é o reino dos que já se foram.
Pois não há decepções,
Desilusões ou sofrimentos
Somente o descanso eterno...
É na escuridão no vale das traves ocultas
Habitam a tão calma sombra da Lua,
Os ventos serenos assoviam sorrateiramente o nada.
Um lugar diferente, sem complicações, sem maldade
Onde quem vem a padecer tem sorte,
E clama para que a vida não comesse após a morte.
Não há morte mais cruel do que morrer e reencarnar na face
da vida, e viver em um mundo injusto e sem compaixão.
Desejo abraçar Caitana como uma velha amiga, para que não seja difícil minha despedida...

Paulo Lima

A verdade de cada um

Quem nunca sentou em seu sofá
E ouviu aquela velha abertura:
"Lá vem o chaves,chaves, chaves"
Não sabe o quanto vive na amargura.
O seriado brasileiro
a quem devo minha infância,
Fez parte da minha vida
E dos meus tempos de criança.
Saudades do "bi,bi,bi,bi,bi" de Roberto Bolanõs.
Saudades das desculpas para não pagar os Alugueis,Ramón Valdés.
Saudades do "rá,rá,rá" do Frederico e sua careta,
Saudade das sardas e dos soluços da Maria Antonieta.
Saudade da eterna Angelines e Florinda Mesa.
Mesmo com tudo reprisado,
Receio o fim de uma turma uma dia tão influente
Que influenciava uma juventude hoje pecaminosamente doente.
Doente por não saber o quão foi bom a infância.
De uma juventude que sempre soube se divertir,
Pena! Pena de pessoas que nunca saberão o verdadeiro motivo de sorrir.
Uma juventude que nunca vai saber dar valor a uma roupa remendada,
A uma vizinhança, e aos sonhos mais simples como um sanduíche de presunto.
Uma juventude que nunca mais vai entender a expressão " Todos atentos olhando pra Tv"
Uma geração que nunca vai poder descobrir a simplicidade que era viver...



QUE PENA...

O amor


Sou um pobre moço perdido na solidão 
De tanto que me doei, partido é meu coração,
E no espelho os olhos de quem ama 
Mas que duvida que ainda exista compaixão...
Sou aquele homem com muito amor 
E ninguém para valorizar, 
E voam lagrimas amargas 
Batendo asas a decolar...
Se não sou amado, é porque o amor ainda não me achou 
Viso encontra-lo, tão grisalho como um avô...
E tantas coisas tenho para contar, 
Amor em mim existe igual as estrelas refletidas ao mar,
Que coisa cruel não ter alguém para amar..

Paulo Lima 

Americano Brasil 

Não aguento mais viver 
Estou ficando louco!
Não sou do padrão que se julgam
Esses seres tão dementes.
Sou da minoria rejeitada 
Da juventude horrivelmente doente.
Sou da terra do "seu lobo"
E o povo daqui é bobo!
Visivelmente mascarados e loucos.
Que raciocínio lento
Que Brasil tão perigoso,
Que não evoluiu após tanto tempo.
De saco cheio dessa gente
Seres extremamente indigentes,
Usam coleiras no pescoço
E malandramente são instruídos ao que fazer...
Vivo na terra da brincadeira 
Aqui se prega a desgraça alheia,
Tiram de Vera o que é de Vera 
Demostrando o ódio em suas veias.
Peço a Deus somente a calma, 
Sei que não é suficiente.
Então que ore, salve e repreenda 
Todo ódio dessa gente,
Transformando em um país muito viril,
Sou da terra de cultura estrangeira 
Caricata-mente! Americano Brasil.
Terra onde reina a burguesia
Quem governa é a hipocrisia,
Que explora o povo a todo custo
Na mão de obra e mercadoria...


Paulo Lima 

Retirando 


Meu Deus, olha essa gente tão triste e doente
Maria, roga pur nós!
Salva as criança tão fraca e tão seca
De fome feroz.
As chuva não vem mas pra gente
E mata as lavouras e a plantação,
Maria cheia de graça, entrega a bendita graça
Para nosso Sertão...
E morrem os coitados, meus gado de fome e de sede
Meu pai, isso castigo?
Mas oia pra esse povo, sem dá um surriso
Abençoa essa tribo e hora cumigo...
E sem nada para poder prantar
Os barraco de paia vô desfazer,
Vô pras cidade, tão grandes e medonhas
A procura do dicume...
Por ruas de sangue eu vou caminhar
Na penúria das ruas escuras, nós vamo vagar,
E se a sorte não for com a nossa cara
Pra a mesma palhoça nós vamo vortar...
É essa a hora de ir, chegou o momento da dispidida
A Deus minha Maria de Aparicida,
A seca assustadora nós faz ir em bora pra longe cantar
E fica essa terra, tão triste na guerra a espera da chuva molhar...

Paulo Lima


Retirante 

Ei matuto retirante, me conte uma coisa
Seja culto, escute e responda sem que haja demora,
A que horas começa a quadrilha, a festa da cumeeira
Ou a reza da Nossa Sinhora?
Retirante me conte se pur essas bandas
Existe horário de verão,
Para que assim eu num perca
A saída da bela calunga do velho sertão.
Olhe cabra, me conte adonde descansa essa gente
E me livra da tanto sufoco.
Me mostre uma sombra de um juazeiro
Ou uma velha barraca de palha de coco.
Me diga adonde canta, adonde se dança
E adonde eu vejo a boiada,
E adonde a paz que aqui habita
Pur esse povo é encontrada.
Boiadeiro me conte ainda, purque uma terra como essa
Num é capaz de chorar?
Pois mesmo na lida diária, no sufrimento sentido na pele
Essa gente é capaz sonhar.



Paulo Lima


Galego não eu sou é preto!



Hoje eu acordei diferente,
Acordei mesmo, porreta!
Orei, roguei, pequei meu amuleto
Branco não viu nego?
Agora eu sou é preto!
Sou naturalista, comunista,
Feminista dos pés a cabeça.
O turbante, agora é meu manto
Cultura, é minha cor
Poesia, meu canto.
Meu sorriso agora é preto
Minha pele deixou de ser clarinha,
E vou dizer uma coisa:
Que preto bonito, viu mainha?
Desbocado, inclusive, que boca!
Sou negro, a cor do pecado,
Sou o pai do acarajé, fazedor de dendê
Olhe, nessa terra, negro mais lindo
Você não ver!
O cara  até tenta
-Fala galego!
O que você disse Pai? Repete ai preto que quero ver
Me respeite, viu parceiro?
Tome mais cuidado que eu não sou seu pariceiro.
Saio logo de fino
Desfilo a minha avenida a fora
Recebendo elogios, hora em hora.
Respeitem os negros dessa Bahia
Engulam os negros arretados,
Porque somente na Bahia
Negro assim é encontrado.


Extinta-mente

Entre os vales e bosques me prendo.
Nas cachoeiras, águas para me alimentar,
Na terra animais ferozes
No mato, o canto do Sabiá.
Na carência das matas maltratadas
Desfruto de todo um valor,
Colhendo dos frutos aqui plantando 
Cultivando somente flor.
Entre a mata se acolhe a melancolia 
Entre os gritos, os bichos e seu rancor,
São as vidas pedindo ajuda 
É a extinção do nosso amor.
Vou observando a água sendo consumida 
Olhando os animais sem o que beber,
Vejo na mata a penúria 
Vejo a floresta padecer.
As aves que aqui cantavam
Cantam um canto, que esbanja a dor,
E o mato clama, pede clemencia 
Ao meu senhor.
E os homens, sem compaixão 
Matam vorazmente, os inocentes,
Sem nem saber, os indigentes 
Que os animais tão maltratados, defende a gente.
Os coitados dos animais 
Morrem alegremente,
Eles morrem, mas não revidam 
Extinta-mente!
E não trocam nem pela vida, 
O juízo deles pelo da gente.



Sabiá

Segue o caminho da mata
Fogo ao puro vapor,
Na terra migalhas
No poema eu falo
Com meu criador.

Caminhos fechados
Aonde voam os colibris,
Tolos comportados
Como homens Pueris.

Copas abertas
Nébulas à vista,
Homens na mata
São parasitas.

Borboletas ao vento
Se perdem aos nevoeiros,
Da mata desprezada
Sou homem passageiro.

Natureza obsessora
Homens na mata, fragmentar,
Refúgios se perdem
Ao cantar o Sabiá.

Paulo Lima




A velhice eterna


Quero ser o voo livre de um belo passarinho
O soar de um vento, um vapor,
Me transformar nas pétalas caídas
E provar do beijo do Beija-flor.

Quero me transformar na luz
Ser um olhar puro de criança,
Ser minha própria voz da velhice maltratada
Não me contentar com a sorte
Sendo a sorte da esperança

Quero ser sol nascente
E com ele sumir ao fim do dia,
Ser a própria natureza,
Na solidão da madrugada fria

Apenas quero ser um conto do nordeste,
O calor do Sertão
Ser cabra da peste,
Sendo o pavio aceso do canhão

Sentar na minha cadeira de balanço
Com minha xícara de café,
Relembrar os momentos de juventude
Com meus gatos, cachorros e minha mulher

A velhice eterna, um dia eu terei
Envelheço e não padeço,
Serei vida e minha própria
Consciência,
Serei história, serei livro
Serei da morte a penitencia.



Paulo Lima



Preciso de você


Estou totalmente desanimado.
Tudo ao meu redor esbanja sofrimento,
Pareço ser invisível ao seus olhos.
Querida, é notável meu lamento?
Eu me sinto meio estranho...
Minhas tardes de canção, hoje vem a me afagar.
Meu coração pulsa seu nome!
Querida, você pode me beijar?
Suas palavras estão me machucando,
Eu só queria contigo delirar,
Ver seu sorriso envergonhado...
Querida, você pode me amar?
Você me usa de uma forma estranha,
Quando só quero te sentir,
Brinca com meus sentimentos
Querida, você pode me ouvir?
Aquela noite foi uma loucura
Não devíamos ter feito aquilo
Mas eu te amo e não vou mentir,
Querida, quando vamos repetir?
Não estou em condições de me calar,
É muito amor pra eu te dá
Muitos nudes da alma para te enviar...
Querida, vamos nos matar?

Paulo Lima




Sonho

Uma moça murena
Lábios carnudos e olhar de poesia,
Quando eu avistava meu coração forte batia

Era a negra mais linda

Que já andou em riba da terra,
Causava tanto alvoroço nos moços 
Jacobina vivia em guerra

No oiar puro da negra 

Havia uma pureza nela,
A mais brilhante istrela
Perdia sorrindo cum ela

Eu me apaixonei pela moça

E ela se apaixonou por mim.
A ela eu dava o mar e a lua.
Era um amor que nunca teve fim

Todos sentiam inveja.

Mas o nosso amor não acabava.
Era como o fio da vida inacabável
A cada dia nosso amor só aumentava

Como nois se amávamos

Muitos viviam conspirando,
Mais nosso amor só fortalecia 
Cada dia ia aumentando

Mais para você que tem inveja

Coloque graça em sou rosto risonho,
Porque essa negra tão perfeita
Foi vista através de um sonho

Paulo Lima

Anna

A vida é tão boa, tão meiga e tão bela
Para que viver pensando na morte
E por tão pouco chamando por ela?

Ai meu Deus que menina tão pura
E cheia de mágoas.
Apura o coração machadado
E transforma em rios brota douro de águas.

Que menina fraquinha tão triste e enfadonha.
Eleva a face dessa mocinha
E transforma em garota risonha.

Mostrando o valor de uma vida
Tão pura cheia de mágica e virtude.
Para ter alegria em seu coração é preciso
Bem mais que uma simples saúde.

Entrega juízo a moça que pela morte chama
Fala com ela meu Deus em momentos
Tristes e diga que a ama.
Entrega o valor que tu tem
Pela moça chamada de Anna.

Paulo Lima




A vida é uma peça



Cheguei em um momento da vida

Onde tudo já tinha perdido a graça.

Em meu pensamento só tinha tragédia,

Rancor e desgraça.



Até mesmo os amigos viraram as costas pra mim

Me deixando sozinho para uma batalha enfrentar,

E assim saber que um homem,

Também é capaz de chorar.



E a gente reconhece com grande desgosto

Que tem momentos que a vida vai te golpear,

Por isso devemos fazer valer a pena

Cada sonho que sonha que ainda vamos sonhar.



Só tenho da vida a certeza que não quero morrer

Quero conhecer todos os amores do começo ao fim,

Eu só quero a emoção de saber,

Que em algum lugar alguém fala de mim.



Quero ser lembrado por todos como um amante da vida

E me perdoar com os mesmos pela minha loucura,

Só queria encontrar em cada simples amigo

Uma nova aventura.



Quero apenas olhar a Compostela da minha janela

Apreciar a beleza das flores nos bosques da vida,

Sem que nada e ninguém interfira

Contando sua história trágica e sofrida.



Só quero viver minha vida sem magoa e sem dor

Sem que ninguém me chame de doutor,

Aprender a se molhar nessa chuva de vida

Mandada pelo meu criador.



E eu que pensava que a vida não tinha mais graça

Descobri que ela não deixa de ser uma peça,

Mas se a gente não se cuidar e criar um roteiro

Essa vida sem graça, nem mesmo começa.









Paulo Lima




Linda morena

Morena linda dos lábios de Araticum
Lembro da gente, do tempo que eu te amei,
Cachos dourados feito casca de Buriti,
Boca rosinha de pó urucu
E do beijo bom feito Murici


Corpo moreno feito meu acarajé
Sorriso branco feito massa de beiju,
Saliva doce feito mel, mel de uruçu

Venha correndo para meus braços
minha meiga Leãozinha
Deixe de andar sozinha
com essa ingratidão,
Palma de mandacaru
folha de cupuaçu
Rainha do meu Sertão

Da manga rosa vem o teu sabor
Melão papaia e saco de Juá
Jabuticaba teu olhar notorno
Beijo docinho feito umbu e cajá

Linda mocinha cabelos de laço e fita
Minha pedra valiosa
De ouro com marcassita
Quero te beijar!

Venha comigo pedaço de gabiroba
Croço de umburana
Calda de cana-caiana
Quero te amar!




Paulo Lima





Dicionário do meu Sertão

Pra tu que num intende
o Dialeto popular,
Vou falar o do meu Sertão
Que é massa de cantar

Se tu num paga direito, é veaco!
Adolecente na pegação é amasso
E se a coisa é nojenta
A gente chama de mundiça.
Homem feio é carniça
Ou chinelo de paiaço
e virgindade aqui é cabaço

Se eu mandar você sair
Tu vai pegar o beco
Gordinha aqui é picanha
Safada é piranha
e magrinho espritado de seco

Aqui é todo meio bagunçado, num sabe?
Canela seca, pode ser Caneludo
E dentuço é dente de sabre

Se tu quer me falar algo
arrudeia aqui, abestado!
Se tu quer fazer xixi
é só gritar:
-Vou bater o mijão!
Jovem novo é donzelo,
Branquelo é amarelo
E pegador, garanhão

Gente falsa aqui é coxinha
Mulher baixa é toco de amarrar jegue,
Anã de jardim, rodapé de piso...
E coitada é bichinha

O dialeto aqui muito usado é "Pro Mode"
Que quer dizer o motivo de que.
Se você é muito feio é o cão chupando manga,
Arranhão aqui é arrelado
E careta feia é muganga

Sujeira do nariz é giribita
Solteirão é comedor de cabrita,
Garganta é muela
E secreção do olho a gente chama de Ramela

Não se chama prostituta por essa região
Se chama é quenga!
Não me venha com conversa fiada
Que chamam logo de lenga-lenga

Se tu não é mais moça
Tu tá bulida,
Gaitada é risada
e assoprinho é gemida

Aconteceu algo estranho?
é só gritar:
-Vije minha nossa sihora.
Expressão usada aqui
Vinte e quatro hora

Se você diz coisa cum coisa
Tu é abestalhado,
Afolozado aqui é usado
quando a coisa já ta esticado

Home tem muita coisa
Alpercata,aperreado,arrombado,zoião,
Zézim e Pipoco do Trovão.
Tem acumé, oxente, patim,
arretada, isculhambado e arengueira,
Pareceira, murrinha, ta cum cranco e encrenqueira

Quase me esqueço da bubônica, mulestia, pinote
e xibungo,
Ah, solto no açude
é tibungo

Sobre as partes do corpo humano tem:
Furico, boga, butico
Tem tabaco, rodela e xibiu,
Se quebrou tá desmantelado
E capou o gato quer dizer fugiu.

Correr aqui é acunhar
Água na boca é aguejar
Se num aguento mais comer
Tô Aifano,
E se arroto alto dizem que tô gofano

Ah cumpade, tem tanta coisa nessa terra
Que nos deixa maravilhado,
Aqui é o purtuguês bem escrevido e bem falado,
A riqueza do meu povo, levo no coração
Enfrentando a batalhada diária, a cultura maltratada
Tenho fé no meu Sertão

Beba água!

Paulo Lima


TEMPORAIS

Eu quero ter uma vida mais corrida.
Brigar com meus amigos e parentes,
Mas saber que estou rodeado de amor,

E fazer tudo diferente.
Pensar que vou me libertar,
Sentir seus lábios e carinhos,
Sua mão macia a me afagar.
Preservar tudo o que é bom!
Os beijos, as festas, os cheiros no cangote,
As gargalhadas mais medonhas,
E os momentos de frangote.
Me vingar da natureza,
Preservar o que um dia foi uma beleza,
Agraciar suas riquezas naturais,
E me afogar nos meus pecados capitais.
Lutar na caminhada
que essa vida me pregou,
Chegar na frente e faço afronta,
Manter a fé no criador.
Ignorar a demência de gente tonta,
Mesmo que a vida me demita,
Eu vou na frente procurando uma saída.
Por tanto meta a cara,
E faça o que quiser
Que a vida é uma criança
E como é!
Da vontade de viver não abra mão.
Não vou me render aos preconceitos raciais ,
Ao ver tanta podridão estampadas em tv , revistas
 E nos jornais.
Criarei poemas para me acalmar,
Tomarei o meu café esperando a paz tão prometida,
Ignorar o amor achando uma saída,
Ouvir relatos de ladrões e homicidas,
Ignorar as saudades e a agonia das despedidas!
Vivo no meu mundo de esperança,
Doar um dólar pro criança esperança,
Vou me jogar na lama de uma chuva que caí
Gritar aos crentes:
-"Aleluia e Graça e paz!"
É uma grande chuva de honestidade e temporais,
Quero voltar aos tempos dos nossos pais,
Eu quero ter a chave da desigualdade,
Para prende-la bem longe da humanidade.
O fim das drogas e mais saúde para crianças.
Um mundo justo, menos corrupto,
E sem matança !
O fim da música para os equivocados,
Por um dialeto mais falado, que retardado.
O fim do preconceito e a xenofobia,
Espelhar amor ao ver a luz no fim dia.
Eu só quero a paz vivendo em você,
Escute aqui irmão, mais harmonia!
Eu quero o ter a “massa”
Na melodia...
Escute aqui meu velho e preste atenção!
Eu quero ouvir uma letra em uma linda canção.
Só quero ouvir a letra, em uma linda canção....

Paulo Lima


Refugio

Que a Natureza seja sempre meu refugio,
Para que meus poemas não venham a falecer.
Que ela sempre possa servir como berços, inspirações,
Para minhas noites repletas de poemas, poesias, canções...
Que a Compostela que compõe os Céus
Possa sempre me mostrar os caminhos onde posso seguir,
E que essa vontade que tenho de fazer o melhor venha existir em mim.
Que meus poemas venham para fazer diferença,
E que venham sempre para mostrar a igualdade em raças, etnias, cores e crenças.
E que eu nunca as use como palavras de vaidade,
Porque quero sempre ter no coração, humildade.
Que as palavras e momentos que eu recebo possa sempre conter nas minhas histórias,
E que os maus caminhos que vejo obrigado a passar fujam da minha memória.
Que os momentos de infância venha sempre a me fazer sonhar,
E que possa sempre conter a felicidade para assim eu compartilhar.
E que eu nunca possa resistir aos rolinhos de inteligência,
Porque alguns neurônios a menos não faz diferença.
E que ao tragar a fumaça da vida,
Venha acalmar o assustador medo da minha despedida.
Que as árvores frutifiquem uma resposta para minha agonia,
Que minhas palavras sejam regadas de amor dia após dia.
Que os momentos em turma venham sempre a se repetir,
Porque sempre devemos aos momentos felizes curtir.
Que o desejo de viver seja cada vez mais forte,
E que a humanidade um dia possa gritar:
-“A poesia venceu a morte.”

Paulo Lima


PALAVRAS AO VENTO

(Inspiração - J.V)
Pessoa querida
de pele branquinha 
e cabelos enrolados,
posso te amar?
Palavras sinceras,
sentimentos em versos,
vou te apaixonar...
Pessoa querida
de cachos dourados,
boquinha macia,
vem me adorar!
Encadeia por mim
um doce veneno,
que faz delirar.
Seus olhos tão belos,
tua pele tão rara,
me faz sempre
contigo sonhar...
No teu sorriso tão simples,
nos teus braços enfadonho,
meu coração quer repousar!
Tuas prosas e meu café
namoram as noites de lua,
tão grande e tão bela
a nos afagar...
Querida pessoa,
reprisa comigo
vem me namorar!

Paulo Lima


Cadê Noel?

Eu tô cum fome.
Papai Noel, quero comer!
Eu abro mão do panetone
por roupas limpas, menos sofrer...

Tou nessa vida caro Noel,
Por que não tenho onde morar.
Eu vim de longe, lá do Sertão,
pensando assim que minha vida ia miorar.

Aqui eu tÔ só na penúria!
Não tem ninguém para acharcar
Não tem ninguém para acharcar...

Moro na rua senhor Noel,
Sou engraxate e ganho pouco.
E sou taxado aqui no centro
de um ninguém e pobre louco.

Já sofri muito, me maltrataram,
Mas não perco a fé.
Eu vim de longe, lá da Bahia!
vim com meu fardo,
não foi de corro
eu vim a pé.

Gastei três dias na longa vinda,
Dormi na estrada, com muita dor.
Eu peço a tu, papai Noel
Uma vida digna, meu Salvador.

Durmo no chão,
As minhas lágrimas se derramaram,
as minhas coisinhas
Daqui roubaram.

Eu quero apenas um lugarzinho,
pra eu morar,
tou nessa vida, papai Noel
Não tem ninguém para acharcar.
Não tem ninguém para acharcar...

Durmo aqui mesmo, encolhidinho,
com muita angustia e um pavor,
E a comida quem me trouxe
foi uma senhora, que aqui passou.

Mas vou migrar pro matagal,
Lá o perigo são os animais,
aqui na rua já me judiam
os meliantes e marginais.

Senhor Noel tem compaixão,
dá pra esse povo, saberia
e que não falte em sua mesa,
o seu pão de cada dia.

Mais consciência a humanidade
que se esqueceu,
Que tudo isso que a gente passa,
Não foi Deus que escolheu.

Eu peço a ti mais paciência do que já tenho,
pra eu sair desse mundo, judiação.
Só quero a calma que eu já tive, no aconchego do meu Sertão
Só quero a calma, que eu já tive no aconchego do meu Sertão


Paulo Lima



Leonor

Descalça vai para a fonte.
Leonor pela verdura,
Vai formosa e não segura.

Vai andando sobre o bosque.
Em sua cabeça leva um vaso,
O texto nas mãos coradas, mais negra que a noite pura,
Vai formosa e não segura.
Andando de pés no chão,
Com sua voz a arrepiar,
Mais encantadora que uma pintura...

Vai formosa não segura.

Sua pele ao mundo encanta!
Cabelos crespos interessados.
A graça dela é tanta, que da forma a formosura. ..
Vai formosa e não segura.
Paulo Lima



( Cantiga de Mote e Glosa )




Morte do Sertão






O Sol que nasce é o mesmo que morre.

No Sertão de Jacolinda, a terra por ele iluminada.

De que morreu?

Morte morrida ou morte matada?



Vai saindo os meus vizinhos

as quatro da madrugada,

De que morreu?

Morte morrida ou morte matada?



Andando léguas e mais léguas,

para sua rosinha bem cuidada,

De que morreu?
Morte morrida ou morte matada?

Entristecido por perder a colheita,
rezando por uma chuva e água para sua manada,
De que morreu?
Morte morrida ou morte matada?

As mulheres que não tem um pedaço de terra
vai trabalhar no sinzal, sendo maltratada.
De que morreu?
Morte morrida ou morte matada?

Sujeitos ao sofrimento de tanto lamento
de mão calejada,
De que morreu?
Morte morrida ou morte matada?

Sua face já esbanja tamanho sofrimento
sua pele é bem queimada,
De que morreu?
Morte morrida ou morte matada?

Se ver sujeito a tamanha obrigação
mas sempre com uma bela gargalhada,
De que morreu?
Morte morrida ou morte matada?

Uma casinha de palha é o que basta
para uma vida alegra mas arrebatada,
De que morreu?
Morte morrida ou morte matada?

Esse sertão que arde na alma
é duro, mas simples, honesto e esperançoso
Mas o Sertão verdadeiro morre a cada chibatada
Mas...
De que morreu?
Morte morrida ou morte matada?



Paulo Lima




Preciso de você


Estou totalmente desanimado.
Tudo ao meu redor esbanja sofrimento,
Pareço ser invisível ao seus olhos.
Querida, é notável meu lamento?



Eu me sinto meio estranho...

Minhas tardes de canção, hoje vem ao delirar.

Meu coração pulsa seu nome!

Querida, você pode me beijar?



Suas palavras estão me machucando,
Eu só queria contigo poder contar,
Ver seu sorriso envergonhado...
Querida, você pode me amar?

Você me usa de uma forma estranha,
Quando só quero te sentir,
Brinca com meus sentimentos
Querida, você pode me ouvir?

Aquela noite foi uma loucura
Não devíamos ter feito aquilo
Mas eu te amo e não vou mentir,
Querida, quando vamos repetir?

Não estou em condições de me calar,
É muito amor pra eu te dá
Muitos nude da alma para te enviar...
Querida, vamos nos matar?



Paulo Lima


Rei do Cangaço



Eu sou a favor de tudo que é belo, honesto e bonito.
Sou admirador do meu povo, rico de imaginação.
Sou da terra da felicidade, do canto da caridade,
do aconchego do Sertão.




Sou a favor daquele que trabalha no sol quente,

sem reclamação e nem lamento.

Que as vezes não tem na mesa nem um pouco de alimento!



Sou a favor das nossas riquezas, do mais medonho sorriso de um palhaço.

Sou rei, sou coroa, sou o dono do meu cangaço.


Essa vida no Sertão do meu nordeste, ela é mesmo uma hipocrisia!
Enquanto não reconhecem o valor do sertanejo,
Ele rima em poesia.

Sou sertanejo, sou da roça!
Se você não gosta, o jeito é me engolir.
Pois em cada canto que passar, vai ter um matuto brabo a nos fazer sorrir.

Olhem bem e escutem meus sertanejos!
Por favor não se oponham a tamanha mediocridade.
Que todo ódio dos que odeiam o sertão,
seja retribuído com aconchego e honestidade.

Eu no canto da natureza
da pele, do arregaço.
Sou o dono da poesia,
Sou o Rei do meu cangaço.

Paulo Lima



A vida é uma peça

Cheguei em um momento da vida,
onde tudo já tinha perdido a graça.
Em meu pensamento só tinha tragédia,
rancor e desgraça.

Até mesmo os amigos viraram as costas pra mim,

me deixando sozinho para uma batalha enfrentar,

E assim saber que um homem,

também é capaz de chorar.



E a gente reconhece com grande desgosto,

que tem momentos que a vida vai te golpear,

Por isso devemos fazer valer a pena cada verso

daquele poema sobre acreditar.

Só tenho da vida a certeza que não quero morrer.
Quero conhecer todos os amores do começo ao fim,
Eu só quero a emoção de saber,
que em algum lugar alguém zela por mim.

Quero ser lembrado por todos como um amante da vida,
e me perdoar com os mesmos pela minha loucura.
Só queria encontrar em cada simples sorriso
a magia da sua doçura.

Quero apenas olhar a Compostela da minha janela,
Apreciar a beleza das flores nos bosques da vida,
sem que nada e ninguém interfira,
contando sua historia trágica e sofrida.

Só quero viver minha vida sem magoa e sem dor.
Aprendi que até a natureza escuta sua própria voz,
Aprender a se molhar nessa chuva de vida
Que caí sobre nós.

E eu que pensava que a vida não tinha mais graça,
descobri que ela não deixa de ser uma peça,
mas se a gente não se cuidar e criar um roteiro
essa vida sem graça, nem mesmo começa.


Paulo Lima

Maristela


E lá vem ela



a mais pura donzela do meu Sertão.
O nome dela?


É Maristela.

Um chamado assediador ouvi do nada,
Era cumpade Manuel

Ele tomava uma cana

Mas os olhos param na mulata

"Oh lá em casa"

Gritou

Maristela nem reagiu

Seguiu seu rebolado

E mais uma esquina

Ouviu-se mais uma
"Eita, Morena!"
E Maristela pela avenida andava
E não respirava,
Virando em outra esquina
a tão pura menina
Respirou
Respirou
Seu desejo era gritar
Mas a sociedade não deixa!
Seguiu os conselhos mamãe
"Vai enfrente e baixa a cabeça"
Não levava recado pra casa
Ouvindo tantos absurdos
Maristela gritou
Com tanta raiva ficaram
Que três homens a violentou.
Lagrimas.
Choros e dores,
"Eu avisei"
"Não fale mais"
Dizia a sociedade.
Gabriela pensou
"Não vou aquentar "
Passaram três meses
E Maristela não aguentou,
Durante uma tarde no bosque
Maristela se Suicidou.

Paulo Lima



Quem era eu


Que pavor eu fiquei
quando me deram a notícia da minha morte.
A princípio não acreditei, fui bem forte.
Mas depois cai na real e reconheci que sou mortal.
Eu me recordo que quando eu estava partindo,
consegui ver quem era eu, enquanto estava levemente dormindo.
Eu não entendi direito, mas eu via do lado esquerdo da ponte,
lágrimas e dor
via muita gente chorando, e em meu lado , risos de horror...
Eu tentava entender mas não conseguia me avistar por completo,
mas eu era uma pessoa importante, não, nem um pouco discreto!
Mas eu e as pessoas que estavam ao meu lado, se divertiam ao ver
tanto sofrimento.
Cada gota de lágrima que caía, era grande meu contentamento.
Eu estava de preto, era como se fosse um rei,
todos me obedeciam, eram meus fantoches. Eu ditava as leis!
É, eu tinha meu grupo, mas era eu que comandava,
gostoso era ver, como esse grupo meu saco puxava...
Ovacionado por puxa sacos, e em meu grupo só ficava
quem me obedecia e assinava embaixo.
"Home", eu era mais poderoso que o Diabo!
Fechei os olhos e alguém gritou:
-"Morreu!"
Morri sem aos menos saber, quem era eu.


Paulo Lima


Preces



Eu clamo pela infelicidade exposta no rosto de muitos
e pela força que possui o vento,
vamos aproveitar a vida
antes que não tenhamos mais tempo

A nossa vida é miseravelmente curta
e cheias de obstáculos
Clamo por um melhor mundo

e valente,

por amor, amor e amor facilmente



Vamos trocar a parceria,

se não é mais possível a compacticidade,

alegrar-se a cada dia

matar a dor de uma saudade


Religar um sonho da juventude
e se apaixonar perdidamente,
Plantar arvores de afetos
e colher delas suas sementes

Não permita que o amor à segurança
lhe roube o amor à liberdade,
Humilhar-se em momentos tristes
envolver-se mais com a amizade

Morar em um país de cultura
não ocidental
Crer na liberdade de seus filhos
e fazer das ruas o seu quintal

Passar uma semana na natureza
ouvir o silêncio e avistar a Compostela,
pintar e apreciar na natureza
as mais formosas telas

Perdoar a quem nos ofendeu
ler o livro que não leu,
lutar pela liberdade de expressão
reconhecer os frutos que colheu

Suspeitar do médico
caminhar longitude,
sem ao menos se preocupar
com a vaidade da saúde

Viver, viver e viver
desafiar a lei da natureza, e belezas desfrutar,
colher flores em maravilhosos bosques
em águas de chuvas se molhar

Gritar para o mundo
EU TE AMO, VIDA MINHA
poesias recitadas, verdes matas
Verde vento
por um mundo mais justo e sem sofrimento


Eu clamo pela infelicidade exposta no rosto dos pobres
miseráveis e pela força de menos sofrimento
vamos aproveitar a vida
Antes que não tenhamos mais tempo.

Paulo Lima



A IGUALDADE SERTANEJA  
NUM SOU DIFERENTE DE NINGUÉM TENHO ZOI, BOCA E NARIZ, SÓ NUM TIVE OPURTUNIDADE DE UM DIA SER JUIZ EU NUM TENHO VAIDADE SÓ CULTIVO A HUMILDADE NA MINHA ALMA, DESFRUTO APENAS DO MEU TRIBUTO SOMENTE A MAIS PURA CALMA NUM TENHO NOTA DE CEM NUM COMO FILÉ E CARNE DE ACÉM, SÓ VIVO A HUMILDADE CUM GRANDE DIFICULIDADE SEM DEVER NADA A NINGUÉM VOU ADANO AQUI E A CULA PRA MODE UM DE UM TRABAIO ARRUMA, E VIM GENTE DISPRUVIDA SÓ PRA MIM ATURMENTAR NUM SOU DIFERENTE DE FULANO E NEM DE BELTRANO E PEÇO QUE NUM PENSEM ASSIM, SER MATUTO SERTANEJO NUM É SER CABRA RUIM TIRE O NÓ DA SUA GARGANTA E PUR SACRIFÍCIO ME RECONHEÇA, SOU APENAS UM POBRE, CUJA VIDA DE TRISTEZA TENTA SER UM POUCO NOBRE PUR TANTO NÃO VENHA AMIGO DE MIM SE DESFAZER, TENHA PENA DESSE POBRE QUE DÁ DURO PRA CUMER ESSE POBRE HOMEM VIVIDO MAS DE GRANDE CORAÇÃO, QUE SE PREOCUPA EM TER NA MESA APENAS TACO DE PÃO NÃO SOU DIFERENTE DE VOCÊ RICO E ESTRUMADO, POIS A VIDA SÓ NÃO ME DEU O DIREITO DE TER ESTUDADO PAULO LIMA



LUA


Era uma noite fria,
carma e serena.
Quando eu comecei a oiar
uma bela morena.

Brilhava tanto
que eu ficava arretado.
Mas eu gostei da ideia
que ficava encantado.

Era sem duvidas a Negra
mais perfeita que andou
EM RIBA DA TERRA.
O sertão de Jacobina
por ela vivia em guerra.

Quando ela me oiava
meu estomago ativava barboletas.
A #Negra mais inluminada
e mais perfeita que uma viuleta.

Nas noite, eu sentava na varanda
lá nos canto mermo
isperando o brilho da minha fror.
Mais, a cada noite que passava
a rosa ia perdendo a cor.

Minha Janela,
a cada dia iscuricia.
Minha noite de aligria
aos poucos nem carecia.

Foi então que um dia
na minha grande solidão,
sentei para ver a negra
só via iscuridão.

A Lua disapariceu
a morena da minha vida.
Que natureza pobre
tão pobre e puluída.

Acumo é meu Deus,
que a gente tão sufrido
se deixa render a tamanha
puluição?
Cada dia que passa
vai sumindo, a #Negra do Sertão.

Paulo Lima



Em uma pequena cidade 


Sempre tem um doido

o herege e um palhaço

Tem contador de piadas 

o crente e o bebo

Tem o mais magro

e um mais seco
Tem um padre e a capela
Tem uma bela mulher 
com uma linda cadela
Tem o corno e quenga
um cabrito e uma vaca
um curral e uma fazenda
Tem a casa de palha 
uma terra invadida
Tem farinha de monte
é de ruma a cumid.
Tem boi e tem boiad.
Tem fogo de lenha 
tem o feijão e feijuada
Tem carroça de burro
tem neguinho no chão 
tem branquelo bem sujo
Tem cumida na mesa
é repartido o pão
Tem a beira do fogo
aqui não farta união
Tem morro e ladeira
Tem moça bonita
e tem lavadeira 
Tem rios bem lindos
e tem cachueiras
Tem tudo oque queres
meu nobre peão
na Jacobina pequena 
do velho sertão
Só não esqueça que somos 
um povo guerreiro
de grande humildade
Mas fique a vontade
no grande acunchego 
da minha cidade.

Paulo Lima

Meu Castelo

É um lugar pequeno
Sendo porém muito belo,
Poderiam nos chamar de reis
Pois habitamos em um castelo.

É um lugar arrodeado de serras
Sendo elas um belíssimo tesouro,
É um lugar de riquezas
É um berço abrigadouro.

É um lugar tão alegre de viver
Tem muita gente alegre e enfadonha,
É a humildade no rosto de um povo
Que com tão pouco sonha.

Na natureza tão perfeita
Terra como essa não existirá,
Se um dia daqui eu sair
Sei bem que irei votar.

Deus, ajuntou perfeitamente 
Tudo de mais importante 
E com grande humildade,
E tudo isso ajuntado 
Foi jogado na minha cidade.

Viva a tão bela natureza
A maior criação divina,
Eternizada será
Minha amada Jacobina.


Paulo Lima



Livros e autores

Nossas palavras.
Palavras de encanto.
Poemas que contém história.
Receita de poesia.
Poesia sempre.

Artur Azevedo.
Rebem Braga.
Fernando Sabino.
Autores de direito.

Elias José.
Elisa Lucinda.
Autores grandes.
Com poesias lindas.

João Cabral de Melo Neto.
Cecília Meireles.
Reis de grandes afetos.

Vinicius de Morais.
Que ti direi?
Grande autor.
Es o Rei!

Carlos Drummond de Andrade.
E Mario Quitana.
Grandes celebridades.


Paulo Lima.



Jacobina Colonial


Reprisamos nos tempos
Do Brasil colonial.
Vivemos a crise
Da exploração fatal.

Jacobina, vitima da exploração.
Com a extração do nosso ouro,
Ficamos sem nada na mão.

Tínhamos riquezas de montão.
Acharam ouro,
Depois foram embora.
Com carros a avião.

E agora com a Yamana Good
A Mineração,
Empresa rica,
Mais com forte ambição.

Assim cresce a exploração
Que só traz para nós,
Desconforto e oração.

Por isso temos,
Ideias liberais,
E também, Grandes profissionais.

Por isso sabemos,
Que estamos em falência.
Jacobina entrou,
Em estado de doença!

Paulo Lima 



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